quinta-feira, 15 de junho de 2017

Editorial: O triste fim do senador Aécio Neves

 Resultado de imagem para aécio neves triste


O ex-Ministro da Justiça, Fernando Lyra, encerrou sua vida pública como presidente da Fundação Joaquim Nabuco. Nos seus livros de memória e nas palestras que proferiu naquela instituição sempre lembrava que o país observava nascer duas grandes lideranças políticas jovens, netos de dois grandes políticos: Tancredo Neves e Miguel Arraes. Lyra fazia menção, naturalmente, aos nomes do senador afastado do Senado Federal, Aécio Neves(PSDB) e o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos(PSB). Lembrava Lyra que o neto de Arraes chegou a distribuir santinhos de sua campanha à Câmara Federal, ainda muito jovem, nos sinais de trânsito do Recife. Entre outras confidências, sabe-se que o ex-ministro não resistia aos famosos churrascos oferecidos na Fazenda Macambira, de propriedade de sua família, em Caruaru. Depois de algumas cirurgias, acabou não resistindo aos problemas arteriais, possivelmente provocados pelo pecado da carne. Deixou muitas saudades, pois era um homem afável, político por natureza.

Assim como ocorreu no Ministério da Justiça, onde cumpriu muito bem o papel de remover os entulhos autoritários herdados da Ditadura Militar, Lyra foi o homem responsável pela condução dos destinos da Fundação Joaquim Nabuco, logo após a primeira vitória da coalizão petista. Assumiu a instituição na primeira vitória de Lula à Presidência da República, em 2002. Quando ele faleceu, lembro de ter escrito um artigo enaltecendo a sua condição de homem público, assim como de sua condição estratégica como um ator político diretamente envolvido no processo de redemocratização do país. Lyra morreu e não teve a infelicidade de acompanhar o desmonte da carreira política desse ator político, a quem ele festejava como uma das duas grandes lideranças políticas surgidas no país nas últimas décadas. Ontem ouvi uma entrevista com o Ministro Marco Aurélio Mello a respeito de uma possível não observância, por parte do Senado Federal, a uma determinação do STF no sentido de afastar o senador Aécio Neves do cargo de senador. Marco Aurélio observou que o fato era grave e abria um precedente perigoso. 

Nas últimas eleições presidenciais, numa disputa equilibrada, o ex-governador mineiro obteve mais de 50 milhões de votos, um capital político nada desprezível. Presidia o partido e ainda era capaz de assegurar sua liderança na agremiação tucana, mesmo diante de aves emplumados, de bico longo e ambições desmedidas  pelo poder. O fato de ser jovem também lhe conferia alguma vantagem. Restou muito pouca coisa do capital político do mineiro, pois até esse aspecto fica ofuscado diante dos apelos em torno de uma possível disputa presidencial da legenda ancorada no nome do prefeito de São Paulo, João Dória Jr, uma ave recém chegada ao ninho, ainda não contaminada pelo "campo".

Nos últimos acordos mantidos entre o governo e o PSDB, comenta-se que os caciques da legenda tucano ainda colocaram na mesa de negociações uma manobra para poupar o mandato do senador. Dizem que ele teria sido um dos principais avalistas desse acordo, mas é pouco provável que isso tenha ocorrido, em razão do seu desprestígio político, depois dos grampos liberados pelo empresário Joesley Batista. Uma carreira política que antes se apresentava promissora, jogada na sarjeta em razão de condutas pouco compatível daquilo que se espera de um homem público. Causa indignação, por outro lado, as recentes manobras para blindar toda a classe política envolvida diretamente nas investigações da Operação Lava Jato. A primeira delas diz respeito a não autorização, pela Câmara Federal, de um pedido de investigações, formulado pela PGR, sobre o presidente Michel Temer(PMDB).

Nenhum comentário:

Postar um comentário