domingo, 4 de junho de 2017

Editorial: Marqueteiro de Temer faz mais uma confidência por trás do golpe contra Dilma Rousseff.



Já faz algum tempo que deixei de conjecturar a respeito do destino dos líderes petistas neste país. É verdade que gente graúda de outros grêmios partidários estão encrencados, mas é pouco provável que o destino reservado a eles seja tão cruel como o que se pode antecipar sobre os líderes petistas, notadamente os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff. Os problemas de Dilma são assim tão graves que até os petistas desejam descolarem-se de sua imagem, de olho numa improvável recuperação de credibilidade junto à opinião pública, o que deverá levar alguns bons anos pela frente, dada a massiva desconstrução de imagem à qual o partido foi submetido. O Ministério Público Federal entregou ao juiz Sérgio Moro um catatau de páginas, onde pede a prisão do ex-presidente Lula, aliada a uma multa de 86 milhões, que o ex-presidente deverá devolver aos cofres públicos, por supostos benefícios ilegais auferidos durante o período em que exerceu a Presidência da República Federativa do Brasil. Sua defesa tem até o dia 20 para contestar os argumentos do MPF, mas até a torcida do Flamengo já sabe qual será o veredicto.  Até mesmo o fato de não existir nenhuma prova concreta da propriedade do tríplex do Guarujá em seu nome, foi usada contra Lula. Assim, é impossível defender-se.

Dilma Rousseff, depois de ter perdido um mandato legítimo, conquistado nas urnas, hoje também vive acossada em função das delações premiadas mais recentes, envolvendo seus ex-marqueteiros e o dono da JBF, Joesley Batista, que afirma que depositava dinheiro para uma suposta conta sua no exterior, numa transação mediada pelo ex-ministro Guido Mantega. Dilma nega veementemente essa versão, mas sabe-se o que está por trás disso, ou seja, um enredo para encrencá-la, como se ainda não fosse suficiente terem surrupiado o seu mandato. Para não dizerem que embarcamos na teoria da conspiração, ganha as páginas dos jornais deste domingo uma declaração do marqueteiro do presidente Michel Temer, Elsinho Mouco, onde ele afirma que foi regiamente remunerado pelo senhor Joesley Batista com o propósito de envolver-se na artimanha publicitária com o propósito de "derrubar" a ex-presidente. A confissão constitui-se em mais um ingrediente da arquitetura do golpe institucional. 

A crise política parece ter atingido seu ponto máximo. Brasília continua sem uma "solução política tampax" para criar as pontes institucionais até as eleições de 2018. Legalmente, o mundo desabou sobre o Palácio Jaburu. Não sou da área jurídica, mas as pessoas que ficaram atentas aos últimos despachos do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, pedindo a prisão do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, assim como o deferimento do ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, dissipariam qualquer dúvida a esse respeito. O problema hoje é tão somente um "arranjo político" que contemporize os atores ainda no jogo, sobretudo em razão das eleições presidenciais de 2018, que já começam a assanhar as cobiças e aspirações de alguns atores já agora. Não se esperava mesmo que essa gente fosse movida por algum espírito público, por menor que fosse. Daí os impasses. 

Rodrigo Rocha Loures deverá entregar o jogo. Simplesmente porque não existe outra saída. Mesmo que ele não entre no programa de delação premiada, em algum momento deverá informar para quem se destinava aquela mala com R$ 500 mil reais, doada pela JBF, numa espécie de mesada, cuja "rotina" deveria se repetir, semanalmente, durante os próximos 20 anos. Nosso presidente agora passou a defender Rodrigo Louros, talvez no afã de que, com tal atitude, evite-se as precipitações do ex-assessor. Creio ser tudo inútil. Garoto bem-nascido, mimado desde a infância, não tenho qualquer dúvida de que esse louro vai acabar abrindo o bico. Basta ele se dar conta de que o recheio do pão da prisão é com margarina e não com o requeijão poços de caldas, assim como não são oferecidos os tradicionais chimarrões gaúchos nas tardes de domingo. 

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