domingo, 5 de janeiro de 2014

Tijolaço do Jolugue: Invasão de privacidade. PIG flagra Dilma tomando banho na Bahia.

Já externei aqui que na adolescência andei fazendo alguns esboços de charges. Ficaram nos esboços. A admiração por bons chargistas, no entanto, permanece. Nosso blog publica os melhores chargistas do país: Nani, Amarildo, Miguel, Jarbas, Angeli, Aroeira, Tiago Recchia, Paixão. Durante o período da decretação da prisão dos mensaleiros, quase não foram publicadas charges no blog. Os chargistas foram muito duros com os mensaleiros, apresentando-os em situações vexatórias, execráveis mesmo. Pois bem. Passou a circular nas redes sociais algumas fotos da presidente Dilma Rousseff, em roupas de banho, onde descansa, numa praia do litoral baiano, na Base Naval de Aratu, em tese protegida pelas forças armadas. A pessoa responsável pela segurança institucional é o general José Elito. Primeiro é preciso saber como essas fotos foram obtidas. Certamente ocorreram falhas na segurança da presidente. Depois, de inocente, essa reportagem fotográfica não tem nada. Ela parece ter sido produzida com o propósito explicito de constranger, expor ao escárnio uma senhora, Presidente da República, avó, num momento de privacidade. Não é a primeira vez que isso ocorre. Num outro momento, o ex-presidente Lula já foi flagrado transportando sua cervejinha numa caixa de isopor, apenas de calção. Como diria o Paulo Henrique Amorim no seu Conversa Afiada, o PIG ataca por todos os flancos. Pay attention, Elito.

Tijolaço do Jolugue: Até segunda-feira, Roseana Sarney

Um final de semana pesado para a governadora do Estado do Maranhão, Roseana Sarney. Ela tem até segunda-feira para explicar o quadro caótico em que se encontra o sistema penitenciário do Estado. Da natureza de suas explicações, poderá ser decretada uma intervenção federal naquele Estado. Se for sincera, cortará na pele e admitirá que a hegemonia política de quase cinco décadas do clã no poder é um dos fatores determinantes para a fragilidade do tecido social naquele Estado. O Maranhão ostenta indicadores sociais vergonhosos. É o Estado com a maior taxa de mortalidade infantil do país, além de ser o que menos recolhe o lixo produzido pela população. A hegemonia do clã também envolve o aparato de comunicação que retransmite o sinal da Rede Globo no Estado. Isso provocou uma situação curiosa. Depois que a situação fugiu ao controle, a própria TV dos Sarney precisou dar publicidade sobre a real situação em que se encontrava o sistema carcerário do Estado, onde mulheres de presidiários estavam sendo estupradas dentro e fora dos presídios, presos estavam sendo executados e extorquidos etc. Em Pedrinhas criou-se um sistema de poder paralelo, comandados por facções criminosas. Nem as autoridades do CNJ tiveram permissão para entrar em algumas alas. Os Sarney devem muitas explicações ao povo maranhense.

Tijolaço do Jolugue: Erundina, uma estranha no ninho.

O que, afinal, Erundina está fazendo nesse ninho de raposas travestidas de cordeiros? Há fortes reticências dela a essa história de Marina Silva em "negar a política" e os "partidos", propondo uma "rede" que pouco se sabe o significado nem onde isso vai dá. Aliás, sabe. A rede está muito bem articulada com o capital transnacional, que deseja ter uma influência expressiva na definição das próximas eleições presidenciais no Brasil. Erundina deve ter entrado no PSB pelo que o partido ainda poderia representar do legado do Dr. Arraes. Logo perceberia que seu retrato foi tirado da parede ou tornou-se apenas peça de decoração. Acaba de externar sua inquietação com a recente formalização da aliança entre o PSB e o PSDB aqui no Estado, taxando-a de incoerente. Sua convivência não será fácil nesse ninho de cobras.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Tijolaço do Jolugue: Eduardo Campos, como diria Arraes, está no caminho da perdição

Até onde se sabe, o governador Eduardo Campos não teria antecipado para Marina as articulações em torno da formalização da aliança entre o PSB e o PSDB. A rigor, para ser sincero, não precisava. Um poço de contradições, os problemas de Marina com essa aproximação seriam apenas pontuais, localizados em algumas praças, onde ela não suporta alguns tucanos do bico fino, como em São Paulo. A leitura que faço, a partir dos comentários aos nossos artigos, é que o eleitorado não assimilou muito bem essa união, muito menos suas possíveis justificativas, sobretudo em si tratando de um político, caso de Eduardo Campos, que até recentemente era da base aliada da coalizão petista. Fica a dúvida sobre o que "move" Eduardo Campos, sobretudo quando se põe em jogo a formulação de uma nova plataforma programática, digamos assim, pós-petista. Ele está se enroscando numa coxa de retalhos, num emaranhado político que, aparentemente, não haverá saída. São atores políticos rejeitados pelo eleitorado, retrógrados, que já tiveram experiências ruinosas de governo, submeteram a soberania do país ao capital e aos organismos internacionais, detestam pobres, numa nação de profundas desigualdades. Mordido pela mosca azul, a impressão que se passa é que o galeguinho está perdido. Em certa medida, o eleitorado brasileiro é muito fluído, mas um mínimo de coerência faria bem.

Tijolaço do Jolugue: Alguns lances curiosos da aliança PSB-PSDB

Essa recente formalização da aliança entre o PSB e o PSDB vem produzindo alguns lances curiosos, para dizermos o mínimo. O silêncio de Marina e dos marineiros sobre o assunto; a posição do Deputado Estadual do PSDB, Daniel Coelho, reafirmando a sua posição de que continuará como opositor e não pedirá votos para os socialistas, quando seus companheiros já estão ingressando no governo; as afirmações do senador Jarbas Vasconcelos no sentido de entende a atitude agregadora de Eduardo, mas continuará onde sempre esteve em relação àquele senhor; a saída de Betinho de uma secretaria do grêmio tucano; e, finalmente, uma declaração infeliz do grão-mestre tucano no Estado, ao afirmar o que todos já sabiam, ou seja, seria coisa de babacas imaginar que em algum momento o PSDB teria sido oposição ao Governo Eduardo Campos.

Combater a "direitização" e o atraso é a tarefa das redes sociais

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Aliança PSB-PSDB: O que, afinal, é essa Nova Política?




Por José Luiz Gomes da Silva
Cientista Político
Dizia o velho Ulisses Guimarães que, em política, "Nunca devemos estar tão distante que não possa se aproximar, nem tão próximo que não possa se afastar". A máxima do saudoso Dr. Ulisses reflete bem as articulações entre os dois presidenciáveis, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). O projeto de ambos parece-nos muito óbvio, que seria o de levar as eleições presidenciais de 2014 para o segundo turno, onde ambos já teriam antecipado a possibilidade de apoio mútuo, consoante quem estiver melhor na fita naquele momento. É curioso como, com tanta antecedência, essa costura possa estar tão consolidada.

Na história recente das eleições no país, talvez essa seja a eleição onde, concretamente, acordos para um eventual segundo turno sejam amarrados com tanta antecedência. Neste aspecto, não estão se confirmando as previsões do marqueteiro oficial do Planalto, João Santana, de que haveria uma autofagia entre os anões. Eles iriam se comer no andar de baixo, enquanto Dilma Rousseff continuaria nas nuvens.

O Planalto vem adotando uma estratégia que não sabemos se é a mais correta em relação ao assunto: a estratégia do “acocha” e “afrouxa”, bem conhecida daqueles que atuam em sala de aula. Ora informa que Lula vem morar em Pernambuco para derrotar Eduardo no seu quintal, ora recomenda cautela, prevendo os arranjos inevitáveis na eventualidade de um segundo turno. O comportamento do PT pernambucano não merece comentários. Eles simplesmente não resistem a um queijo de cabra, produzido em conhecida fazenda do Cariri paraibano, servido na mansão de Dois Irmãos.

Como já foi posto por alguns analistas, penso ser improvável uma derrota de Dilma Rousseff nas eleições de 2014, mas, como diria nossos avós, cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém. Melhor seria liquidar essa fatura no primeiro turno. O assédio e o desespero da direita poderiam provocar uma situação desconfortável. The Economist, o semanário conservador britânico anda dedicando páginas e páginas para explicar porque Dilma Rousseff não deve ser reeleita, esquecendo-se de elencar, deliberadamente, as grandes conquistas sociais obtidos na Era Lula/Dilma.

Marina vem mantendo alguns encontros com Eduardo Campos. Ainda não entendi como é que ela não o presenteou com alguns livros básicos sobre essa “Nova Política”. Recomendaria duas leituras fundamentais do sociólogo espanhol, Manuel Castells, “Sociedade em Rede” e “Comunicação e Poder”. Tivemos o cuidado de ler com atenção as entrevistas concedidas aos jornais locais pelo prefeito do Recife, Geraldo Júlio, e o governador do Estado, Eduardo Campos. São entrevistas que foram devidamente arquivadas para orientarem nossas avaliações dos governos municipal e estadual daqui para frente.

Em ambas entrevistas, volta ao debate essa "Nova Política" à qual o governador se diz hoje partidário, traduzida como uma espécie de plataforma de suas aspirações presidenciais, sobretudo depois do momento em que vinculou-se a Marina Silva. Durante a entrevista, Eduardo Campos tergiversou bastante sobre o assunto, envolto numa peça ficcional, onde não existem práticas concretas que possam dar suporte à teoria e, a rigor, desconhece-se a teoria.

O que, afinal, é essa "Nova Política"? Em certa medida, o termo teria surgido a partir das reflexões do sociólogo espanhol, Manuel Castells, sobre a revolução promovida pelas redes sociais no que concerne às mobilizações sociais e a falência do modelo de democracia representativa burguesa, corrompido por expedientes de tráfico de influência, representação de grupelhos de interesses corporativos e desvios de recursos públicos, subtraindo as demandas coletivas em favor de interesses privados escusos.

Castells veio ao Brasil, realizou algumas conferências e o grupo que orbita em torno da acriana Marina Silva aproximou-se do teórico, elegendo-o como uma espécie de guru ou ideólogo. Marina é a contradição em pessoa. O modelo de desenvolvimento sustentável proposto pelo grupo ligado a ela passa por profundos questionamentos. Sustentabilidade mesmo só a financeira, uma vez que o grupo conta com apoio de participantes de peso dos banqueiros paulistas.

Manuel Castells é um intelectual envolvido com o movimento de Maio de 68, na França. Sobretudo no segundo título, Castells disseca o esgotamento do modelo de democracia representativa, afirmando que a “classe política” passou a defender seus próprios interesses corporativos, distanciando-se dos interesses da sociedade como um todo. Ou seja, criou-se uma cisão entre representantes e representados, obrigando esses últimos a criarem novos padrões de participação democrática num mundo globalizado e digitalizado.

Em muitos aspectos, com todos os elogios que se possa fazer ao trabalho de jornalismo do Jornal do Commércio com a matéria sobre os 80 anos do livro Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, quem, de bom-senso, poderia ignorar o papel das redes sociais para repercutir negativamente as declarações do ex-secretário de Defesa Social, Wilson Damázio, culminando com seu pedido de demissão? Isso sim é nova política.

A aliança com Eduardo Campos atendeu estritamente a interesses pragmáticos, nunca programáticos, seja lá o que isso signifique. O modelo de crescimento adotado no Estado relegou completamente as questões ambientais. Poderia citar alguns dados aqui, mas isso iria cansar o eleitor minimamente informado. Trata-se de um Governo motosserra. Penso, sem nenhum exagero, que os índices de desmatamento de mata atlântica no Estado hoje seriam comparáveis ao período mais nefasto do apogeu da economia da cana-de-açúcar. Quando ele entra no terreno político, aí, então, é que as coisas descambam de vez, com a sua afirmação de que irá realizar o "Novo" com o "Velho". Certamente ele entregará a missão de realizar a reforma agrária – atrasada secularmente no país - aos ruralistas liderados pelo senhor Ronaldo Caiado.

Em artigo recente, o professor Michel Zaidan Filho fala sobre uma espécie de índice de popularidade construída a partir de artifícios midiáticos, ancorados em pesquisas sob medida, concebida apenas com a finalidade de jogar esses índices nas alturas, sem que os mesmos reflitam a qualidade dos serviços públicos e o atendimento às demandas reais da população, este sim, um índice republicano para aferir o desempenho dos gestores públicos. O resultado disso é que se cria uma grande dicotomia entre os tais índices de popularidade, artificialmente construídos, e a vida cotidiana do cidadão, onde não se observam melhorias significativas.

O mesmo se aplica à propalada "Nova Política", decantada em versos e prosas pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Em entrevista recente, já mencionada, o governador fez uma ginástica linguística enorme para explicar aos jornalistas que o entrevistaram as contradições inerentes ao conceito e às suas práticas ou políticas aliancistas, absolutamente destoantes. Em dado momento, afirma que irá fazer o "Novo" com o "Velho", seja lá o que isso possa significar. Aliás, escamotear.

Recentemente, a imprensa noticiou que ele teve um grande encontro com o também presidenciável, o senador Aécio Neves, do PSDB. O encontro ocorreu no Restaurante Fasano, no Rio, um dos mais "chicos" do pedaço, como diria minha caçulinha Maria Luísa. Bons de garfos, acostumados às tradicionais culinárias pernambucana e mineira, certamente, não pediram os pratos de Marina Silva, caracterizados por algumas regras rígidas. Pelo menos em algum aspecto ela precisa parecer coerente. Aliás, como brincou um articulista do site "O Cafezinho", a acriana, na realidade, do ponto de vista político, foi, literalmente, jantada. Marina é um poço de contradições até mesmo no que se refere às questões ambientais, mais, rigorosamente, não estava em seus planos essa aproximação com os tucanos, um grupo com quem mantém divergências substantivas, rejeitados no momento em que decidiu juntar-se ao socialista.

Pois bem. Trata-se de uma aliança consolidada no plano nacional. A formalização dos acordos aqui em Pernambuco refletem apenas uma costura de longas datas, onde os partidos mantinham uma espécie de aliança branca, confirmada pelo grão-mestre tucano na província, ao afirmar, em entrevista recente, que o PSDB nunca foi oposição ao Governo Eduardo Campos. O vereador Raul Jungmann e o senador Jarbas Vasconcelos sabem o que isso significa.

Os cargos do PTB, que desembarca do Governo, devem ir para o PSDB. A Secretaria de Transportes e o DETRAN estão confirmados. Um bom marqueteiro - coisa que o Planalto tem - encontrará um mecanismo de evidenciar para os eleitores esse "fosso de contradições" em que o candidato Eduardo Campos está se metendo com essa conversa de botequim sobre a "Nova Política".

Tenho observado que ele passou a usar uma "linguagem que o povo entende". Quando se referiu às providências do Governo Federal em relação às vítimas das enchentes nos Estados de Minas e Espírito Santo,  falou sobre as tranca das portas depois de arrombadas. Pelo visto, as suas estão escancaradas. Penso que a ministra Gleisi Hoffmann deu uma ligadinha para o Lula. Não precisa ir buscar inspiração nos gregos, quando se tem um pernambucano que é a maior autoridade quando o assunto é se entender com o povão. Reforçou-lhes a pecha de “ingrato”, a única condição que os gregos não perdoavam.

(Publicado originalmente no Blog de Jamildo, 03 de janeiro de 2014)
Ilustração: charge de Aroeira.

A Costa do Conde, litoral sul da Paraíba



Aliança PSB-PSDB: Olha a "Nova Política" aí, gente!


Bastante curiosa essas últimas movimentações no tabuleiro da política pernambucana envolvendo a formalização da aliança entre o PSB e o PSDB. Na realidade, trata-se de uma aliança de longas datas, mesmo quando o "galeguinho" ainda vivia de lua-de-mel com o Planalto. Mesmo naquela condição, aqui no província sua relação era relativamente harmoniosa com o tucanato, frequentava os encontros nacionais do partido e teve, em certa medida, apoio de tucanos para eleger a mãe para o TCU. Minas, São Paulo, Paraíba, Paraná e Pernambuco - ao que me recordo - podem se configurar como exemplos da construção desse processo aliancista. Portanto, para alguns, não se constituiu nenhuma surpresa a afirmação de um grão-tucano local ao afirmar que o PSDB nunca foi oposição ao Governo Estadual. Com a fragilidade do quadro partidário brasileiro, isso seria perfeitamente possível. Em tese, coerentemente, esperava que os tucanos pernambucanos tentassem viabilizar um palanque para o senador Aécio Neves no Estado. A afirmação do Deputado Daniel Coelho de que não irá pedir votos para o PSB no Estado, embora mantenha uma reserva de coerência, tende a isolar-se ou diluir-se diante desse novo contexto, onde até espaço de governo está sendo ocupado pelo PSDB. Outro aspecto curioso desse enredo é a fala do governador ao afirmar que esse lance pode ser enquadrado no contexto de uma "Nova Política". Prefiro não comentar.

Aliança PSB-PSDB e a "Nova Política" de um governo motosserra.

publicado em 3 de janeiro de 2014 às 13:59


ALIANÇA PSB/PSDB: O QUE, AFINAL, É ESSA “NOVA POLÍTICA”?
por José Luiz Gomes da Silva, cientista político, via e-mail
Dizia o velho Ulisses Guimarães que, em política, “Nunca devemos estar tão distante que não possa se aproximar, nem tão próximo que não possa se afastar”.
A máxima do saudoso Dr. Ulisses reflete bem as articulações entre os dois presidenciáveis, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).
O projeto de ambos parece-nos muito óbvio, que seria o de levar as eleições presidenciais de 2014 para o segundo turno, onde ambos já teriam antecipado a possibilidade de apoio mútuo, consoante quem estiver melhor na fita naquele momento.
É curioso como, com tanta antecedência, essa costura possa estar tão consolidada.
Na história recente das eleições no país, talvez essa seja a eleição onde, concretamente, acordos para um eventual segundo turno sejam amarrados com tanta antecedência.
Neste aspecto, não estão se confirmando as previsões do marqueteiro oficial do Planalto, João Santana, de que haveria uma autofagia entre os anões.
Eles iriam se comer no andar de baixo, enquanto Dilma Rousseff continuaria nas nuvens.
O Planalto vem adotando uma estratégia que não sabemos se é a mais correta em relação ao assunto: a estratégia do “acocha” e “afrouxa”, bem conhecida daqueles que atuam em sala de aula.
Ora informa que Lula vem morar em Pernambuco para derrotar Eduardo no seu quintal, ora recomenda cautela, prevendo os arranjos inevitáveis na eventualidade de um segundo turno.
O comportamento do PT pernambucano não merece comentários.
Eles simplesmente não resistem a um queijo de cabra, produzido em conhecida fazenda do Cariri paraibano, servido na mansão de Dois Irmãos.
Como já foi posto por alguns analistas, penso ser improvável uma derrota de Dilma Rousseff nas eleições de 2014, mas, como diriam nossos avós, cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém.
Melhor seria liquidar essa fatura no primeiro turno.
O assédio e o desespero da direita poderiam provocar uma situação desconfortável.
The Economist, o semanário conservador britânico anda dedicando páginas e páginas para explicar porque Dilma Rousseff não deve ser reeleita, esquecendo-se de elencar, deliberadamente, as grandes conquistas sociais obtidos na Era Lula/Dilma.
Marina vem mantendo alguns encontros com Eduardo Campos.
Ainda não entendi como é que ela não o presenteou com alguns livros básicos sobre essa “Nova Política”.
Recomendaria duas leituras fundamentais do sociólogo espanhol, Manuel Castells, “Sociedade em Rede” e “Comunicação e Poder”.
Tivemos o cuidado de ler com atenção as entrevistas concedidas aos jornais locais pelo prefeito do Recife, Geraldo Júlio, e o governador do Estado, Eduardo Campos.
São entrevistas que foram devidamente arquivadas para orientarem nossas avaliações dos governos municipal e estadual daqui para frente.
Em ambas entrevistas, volta ao debate essa “Nova Política” à qual o governador se diz hoje partidário, traduzida como uma espécie de plataforma de suas aspirações presidenciais, sobretudo depois do momento em que vinculou-se a Marina Silva.
Durante a entrevista, Eduardo Campos tergiversou bastante sobre o assunto, envolto numa peça ficcional, onde não existem práticas concretas que possam dar suporte à teoria e, a rigor, desconhece-se a teoria.
O que, afinal, é essa “Nova Política”?
Em certa medida, o termo teria surgido a partir das reflexões do sociólogo espanhol, Manuel Castells, sobre a revolução promovida pelas redes sociais no que concerne às mobilizações sociais e a falência do modelo de democracia representativa burguesa, corrompido por expedientes de tráfico de influência, representação de grupelhos de interesses corporativos e desvios de recursos públicos, subtraindo as demandas coletivas em favor de interesses privados escusos.
Castells veio ao Brasil, realizou algumas conferências e o grupo que orbita em torno da acriana Marina Silva aproximou-se do teórico, elegendo-o como uma espécie de guru ou ideólogo.
Marina é a contradição em pessoa.
O modelo de desenvolvimento sustentável proposto pelo grupo ligado a ela passa por profundos questionamentos.
Sustentabilidade mesmo só a financeira, uma vez que o grupo conta com apoio de participantes de peso dos banqueiros paulistas.
Manuel Castells é um intelectual envolvido com o movimento de Maio de 68, na França.
Sobretudo no segundo título, Castells disseca o esgotamento do modelo de democracia representativa, afirmando que a “classe política” passou a defender seus próprios interesses corporativos, distanciando-se dos interesses da sociedade como um todo.
Ou seja, criou-se uma cisão entre representantes e representados, obrigando esses últimos a criarem novos padrões de participação democrática num mundo globalizado e digitalizado.
Em muitos aspectos, com todos os elogios que se possa fazer ao trabalho de jornalismo do Jornal do Commércio com a matéria sobre os 80 anos do livro Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, quem, de bom-senso, poderia ignorar o papel das redes sociais para repercutir negativamente as declarações do ex-secretário de Defesa Social, Wilson Damázio, culminando com seu pedido de demissão?
Isso sim é nova política.
A aliança com Eduardo Campos atendeu estritamente a interesses pragmáticos, nunca programáticos, seja lá o que isso signifique.
O modelo de crescimento adotado no Estado relegou completamente as questões ambientais.
Poderia citar alguns dados aqui, mas isso iria cansar o eleitor minimamente informado.
Trata-se de um Governo motosserra.
Penso, sem nenhum exagero, que os índices de desmatamento de mata atlântica no Estado hoje seriam comparáveis ao período mais nefasto do apogeu da economia da cana-de-açúcar.
Quando ele entra no terreno político, aí, então, é que as coisas descambam de vez, com a sua afirmação de que irá realizar o “Novo” com o “Velho”.
Certamente ele entregará a missão de realizar a reforma agrária – atrasada secularmente no país — aos ruralistas liderados pelo senhor Ronaldo Caiado.
Em artigo recente, o professor Michel Zaidan Filho fala sobre uma espécie de índice de popularidade construída a partir de artifícios midiáticos, ancorados em pesquisas sob medida, concebida apenas com a finalidade de jogar esses índices nas alturas, sem que os mesmos reflitam a qualidade dos serviços públicos e o atendimento às demandas reais da população, este sim, um índice republicano para aferir o desempenho dos gestores públicos.
O resultado disso é que se cria uma grande dicotomia entre os tais índices de popularidade, artificialmente construídos, e a vida cotidiana do cidadão, onde não se observam melhorias significativas.
O mesmo se aplica à propalada “Nova Política”, decantada em versos e prosas pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
Em entrevista recente, já mencionada, o governador fez uma ginástica linguística enorme para explicar aos jornalistas que o entrevistaram as contradições inerentes ao conceito e às suas práticas ou políticas aliancistas, absolutamente destoantes.
Em dado momento, afirma que irá fazer o “Novo” com o “Velho”, seja lá o que isso possa significar. Aliás, escamotear.
Recentemente, a imprensa noticiou que ele teve um grande encontro com o também presidenciável, o senador Aécio Neves, do PSDB.
O encontro ocorreu no Restaurante Fasano, no Rio, um dos mais “chicos” do pedaço, como diria minha caçulinha Maria Luísa.
Bons de garfos, acostumados às tradicionais culinárias pernambucana e mineira, certamente, não pediram os pratos de Marina Silva, caracterizados por algumas regras rígidas.
Pelo menos em algum aspecto ela precisa parecer coerente.
Aliás, como brincou um articulista do site “O Cafezinho”, a acreana, na realidade, do ponto de vista político, foi, literalmente, jantada.
Marina é um poço de contradições até mesmo no que se refere às questões ambientais, mais, rigorosamente, não estava em seus planos essa aproximação com os tucanos, um grupo com quem mantém divergências substantivas, rejeitados no momento em que decidiu juntar-se ao socialista.
Pois bem. Trata-se de uma aliança consolidada no plano nacional.
A formalização dos acordos aqui em Pernambuco reflete apenas uma costura de longas datas, onde os partidos mantinham uma espécie de aliança branca, confirmada pelo grão-mestre tucano na província, ao afirmar, em entrevista recente, que o PSDB nunca foi oposição ao Governo Eduardo Campos.
O vereador Raul Jungmann e o senador Jarbas Vasconcelos sabem o que isso significa.
Os cargos do PTB, que desembarca do Governo, devem ir para o PSDB.
A Secretaria de Transportes e o DETRAN estão confirmados.
Um bom marqueteiro — coisa que o Planalto tem — encontrará um mecanismo de evidenciar para os eleitores esse “fosso de contradições” em que o candidato Eduardo Campos está se metendo com essa conversa de botequim sobre a “Nova Política”.
Tenho observado que ele passou a usar uma “linguagem que o povo entende”.
Quando se referiu às providências do Governo Federal em relação às vítimas das enchentes nos Estados de Minas e Espírito Santo,  falou sobre as tranca das portas depois de arrombadas.
Pelo visto, as suas estão escancaradas.
Penso que a ministra Gleisi Hoffmann deu uma ligadinha para o Lula.
Não precisa ir buscar inspiração nos gregos, quando se tem um pernambucano que é a maior autoridade quando o assunto é se entender com o povão. Reforçou-lhes a pecha de “ingrato”, a única condição que os gregos não perdoavam.

(Publicado originalmente no Viomundo)

Mais duas horas com Fidel

Mais duas horas com Fidel

Fidel me esperava na entrada do salão de sua casa, uma peça ampla e luminosa aberta sobre um ensolarado jardim. Aparentava estar em estupenda forma.


Ignacio Ramonet
Divulgação
Fazia um dia de primaveral doçura, submergido por essa luz refulgente e esse ar cristalino tão característicos do mágico dezembro cubano. Chegavam cheiros do oceano próximo e se ouviam as verdes palmeiras embaladas por uma lânguida brisa. Em um desses « paladares » que abundam agora em La Habana, estava eu almoçando com uma amiga. De repente, tocou o telefone. Era meu contato: « A pessoa que desejavas ver, está te esperando em meia hora. Apressa-te.  » Deixei tudo, me despedi da amiga e me dirigi ao lugar indicado. Ali me aguardava um discreto veículo cujo chofer guiou de imediato rumo ao oeste da capital.

Eu tinha chegado a Cuba quatro dias antes. Vinha da Feira de Guadalajara (México) onde estive apresentando meu novo livro “Hugo Chávez. Mi primera vida - conversaciones con el líder de la revolución bolivariana”  . Em La Habana, se celebrava com imenso êxito, como cada ano por essas datas, o Festival do Novo Cinema Latino-americano. E seu diretor Iván Giroud teve a gentileza de me convidar para a homenagem que o Festival desejava prestar a seu fundador Alfredo Guevara, um autêntico gênio criador, o maior impulsionador do cinema cubano, falecido em abril de 2013.

Como sempre, quando pouso em La Habana, havia perguntado por Fidel. E, através de vários amigos comuns, havia transmitido minhas saudações. Fazia mais de um ano que não o via. A última vez tinha sido em 10 de fevereiro de 2012 no marco de um grande encontro « pela Paz e a preservação do Meio Ambiente », organizado à margem da Feira do livro de La Habana, no qual o Comandante da revolução cubana conversou com uma quarentena de intelectuais.

Foram abordados, naquela ocasião, os temas mais diversos, começando pelo « poder midiático e a manipulação das mentes » do qual me tocou falar em um tipo de palestra inaugural. E não me esqueço da pertinente reflexão que Fidel fez ao final de minha exposição: « O problema não está nas mentiras que os meios dominantes dizem. Isso não podemos impedir. O que devemos pensar hoje é como nós dizemos e difundimos a verdade. »

Durante as nove horas que durou essa reunião, o líder cubano impressionou seu seleto auditório. Demostrou que, já com 85 anos de idade, conservava intacta sua vivacidade de espírito e sua curiosidade mental. Intercambiou ideias, propôs temas, formulou projetos, projetando-se para o novo, para a mudança, para o futuro. Sensível sempre às transformações em curso do mundo.

Quão diferente o encontraria agora, dezenove meses depois? Me perguntava a bordo do veículo que me aproximava dele. Fidel havia feito poucas aparições públicas nas últimas semanas e havia difundido menos análises ou reflexões que em anos anteriores .

Chegamos. Acompanhado de sua sorridente esposa Dalia Soto del Valle, Fidel me esperava na entrada do salão de sua casa, uma peça ampla e luminosa aberta sobre um ensolarado jardim. O abracei com emoção. Aparentava estar em estupenda forma. Com esses olhos brilhantes como estiletes sondando a alma de seu interlocutor. Impaciente já de iniciar o diálogo, como se tratasse, dez anos depois, de prosseguir nossas longas conversações que deram lugar ao livro « Ciem horas com Fidel  ».

Ainda não havíamos sentado e já me formulava uma infinidade de perguntas sobre a situação econômica na França e a atitude do governo francês... Durante duas horas e meia, falamos de tudo um pouco, pulando de um tema a outro, como velhos amigos. Obviamente se tratava de um encontro amistoso, não profissional.
Nem gravei nossa conversação, nem tomei nenhuma nota durante o transcurso da conversa . E este relato, além de dar a conhecer algumas reflexões atuais do líder cubano, só aspira responder a curiosidade de tantas pessoas que se perguntam, com boas ou más intenções: como está Fidel Castro?

Já disse: estupendamente bem. Perguntei-lhe por que ainda não havia publicado nada sobre Nelson Mandela, falecido havia já mais de uma semana. « Estou trabalhando nisso, declarou, terminando o rascunho de um artigo . Mandela foi um símbolo da dignidade humana e da liberdade. O conheci muito bem. Um homem de uma qualidade humana excepcional e de uma nobreza de ideias impressionante. É curioso ver como os que ontem amparavam o Apartheid, hoje se declaram admiradores de Mandela. Que cinismo! A gente se pergunta, se ele só tinha amigos, quem então prendeu Mandela? Como o odioso e criminoso Apartheid pode durar tantos anos? Mas Mandela sabia quem eram seus verdadeiros amigos.
 
Quando saiu da prisão, uma das primeiras coisas que fez foi vir visitar-nos. Nem sequer era ainda presidente da África do Sul! Porque ele não ignorava que sem a proeza das forças cubanas, que romperam a coluna vertebral da elite do exército racista sul-africano na batalha de Cuito Cuanavale [1988] e favoreceram, assim, a independência da Namíbia, o regime do Apartheid não teria caído e ele teria morrido na prisão. E isso que os sul-africanos possuíam várias bombas nucleares, e estavam dispostos a utilizá-las! »

Falamos depois de nosso amigo comum Hugo Chávez. Senti que ainda estava sob a dor da terrível perda. Evocou o Comandante bolivariano quase com lágrimas nos olhos. Me disse que havia lido, « em dois dias », o livro « Hugo Chávez. Mi primera vida ». « Agora tens que escrever a segunda parte. Todos queremos ler. Deves isso a Hugo. », completou. Aí interveio Dalia para comentar que esse dia [13 de dezembro], por insólita coincidência, fazia 19 anos do primeiro encontro dos dois Comandantes cubano e venezuelano. Houve um silêncio. Como se essa circunstância lhe conferisse naquele momento uma indefinível solenidade à nossa visita.

Meditando para si mesmo, Fidel se pôs então a lembrar daquele primeiro encontro com Chávez no dia 13 de dezembro de 1994. « Foi uma pura casualidade, relembrou. Soube que Eusebio Leal tinha convidado ele para dar uma conferência sobre Bolívar. E quis conhecê-lo. Fui esperá-lo ao pé do avião. Coisa que surpreendeu muita gente, incluindo o próprio Chávez. Mas eu estava impaciente por vê-lo. Nós passamos a noite conversando. » « Ele me contou, eu disse, que sentiu que você estava fazendo ele passar por um exame... » Fidel se larga a rir:
« É verdade! Queria saber tudo dele. E me deixou impressionado... Por sua cultura, sua sagacidade, sua inteligência política, sua visão bolivariana, sua gentileza, seu humor... Ele tinha tudo!  Me dei conta que estava em frente a um gigante da talha dos melhores dirigentes da história da América Latina. Sua morte é uma tragédia para nosso continente e uma profunda desdita pessoal para mim, que perdi o melhor amigo... »

« Você vislumbrou, naquela conversa, que Chávez seria o que foi, ou seja, o fundador da revolução bolivariana? » « Ele partia com uma desvantagem: era militar e havia se sublevado contra um presidente socialdemocrata que, na verdade, era um ultraliberal... Em um contexto latino-americano com tanto gorila militar no poder, muita gente de esquerda desconfiava de Chávez. Era normal.
 
Quando eu conversei com ele, há dezenove anos agora, entendi imediatamente que Chávez reivindicava a grande tradição dos militares de esquerda na América Latina. Começando por Lázaro Cárdenas [1895-1970], o general-presidente mexicano que fez a maior reforma agrária e nacionalizou o petróleo em 1938... »

Fidel fez um amplo desenvolvimento sobre os « militares de esquerda » na América Latina e insistiu sobre a importância, para o comandante bolivariano, do estudo do modelo constituído pelo general peruano Juan Velasco Alvarado. « Chávez o conheceu em 1974, em uma viagem que fez ao Peru sendo ainda cadete. Eu também me encontrei com Velasco uns anos antes, em dezembro de 1971, regressando de minha visita ao Chile da Unidade Popular e de Salvador Allende. Velasco fez reformas importantes, mas cometeu erros. Chávez analisou esses erros e soube evitá-los.  »

Entre as muitas qualidades do Comandante venezuelano, Fidel sublinhou uma em particular: « Soube formar toda uma geração de jovens dirigentes; a seu lado adquiriram uma sólida formação política, o que se revelou fundamental depois do falecimento de Chávez, para a continuidade da revolução bolivariana. Aí está, em particular, Nicolás Maduro com sua firmeza e sua lucidez que lhe permitiram ganhar brilhantemente as eleições de 8 de dezembro. Uma vitória capital que o afiança em sua liderança e dá estabilidade ao processo. Mas em torno de Maduro há outras pessoalidades de grande valor como Elías Jaua, Diosdado Cabello, Rafael Ramírez, Jorge Rodríguez... Todos eles formados, às vezes desde muito jovens, por Chávez. »

Nesse momento, se somou à reunião seu filho Alex Castro, fotógrafo, autor de vários livros excepcionais . Se pôs a tirar algumas imagens « para recordação » e se eclipsou depois discretamente.

Também falamos com Fidel do Irã e do acordo provisório alcançado em Genebra, no último dia 24 de novembro, um tema que o Comandante cubano conhece muito bem e que desenvolveu em detalhe para concluir dizendo: « O Irã tem direito a sua energia nuclear civil. » Para em seguida advertir do perigo nuclear que corre o mundo pela proliferação e pela existência de um excessivo número de bombas atômicas em mãos de várias potências que « têm o poder de destruir várias vezes nosso planeta ».

Preocupa-o, há muito tempo, a mudança climática e me falou do risco que representa a respeito o relançamento, em várias regiões do mundo, da exploração do carvão com suas nefastas consequências em termos de emissão de gases de efeito estufa: « Cada dia, me revelou, moerem umas cem pessoas em acidentes de minas de carvão. Uma hecatombe pior que no século XIX... »

Continua interessando-se por questões de agronomia e botânica. Me mostrou uns frascos cheios de sementes: « São de amoreira, me disse, uma árvore muito generosa da qual se pode tirar infinitos proveitos e cujas folhas servem de alimento para o bicho da seda... Estou esperando, dentro de um momento, um professor, especialista em amoreiras, para falar deste assunto. »

« Vejo que você não para de estudar. », lhe disse. « Os dirigentes políticos, me respondeu Fidel, quando estão ativos carecem de tempo. Nem sequer podem ler um livro. Uma tragédia. Mas eu, agora que já não estou na política ativa, me dou conta de que tampouco tenho tempo. Porque o interesse por um problema te leva a interessar-te por outros temas relacionados. E assim vais acumulando leituras, contatos e, de repente, te dás conta que te falta o tempo para saber um pouco mais de tantas coisas que gostaria de saber... »
As duas horas e meia passaram voando. Começava a cair a tarde sem crepúsculo em La Habana e o Comandante ainda tinha outros encontros previstos. Me despedi com carinho dele e de Dalia. Particularmente feliz por ter constatado que Fidel continua tendo seu espetacular entusiasmo intelectual.

(Publicado originalmente no portal Carta Maior)
Créditos da foto: Divulgação

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Tijolaço do Jolugue: Eduardo Campos consolida acordos com o PSDB nacional. É a "Nova Política".

Em artigo recente, publicado em nosso blog no dia de hoje, o professor Michel Zaidan Filho fala sobre uma espécie de índice de popularidade construída a partir de artifícios midiáticos ancorados em pesquisas sob medida, concebida apenas com a finalidade de jogar esses índices nas alturas, sem que os mesmos refletiam a qualidade dos serviços públicos e o atendimento às demandas reais da população, este sim, um índice republicano para aferir o desempenho dos gestores públicos. O resultado disso é que se cria uma grande dicotomia entre os tais índices de popularidade, artificialmente construídos, e a vida cotidiana do cidadão, onde não se observam melhorias significativas. O mesmo se aplica à propalada "Nova Política", decantada em versos e prosas pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Em outra oportunidade, já discutimos aqui o conceito dessa "Nova Política" e o histórico de aproximação entre seus propositores com o pessoal ligado à ex-ministra Marina Silva. Em entrevista recente, o governador fez uma ginástica linguística enorme para explicar aos jornalistas que o entrevistaram as contradições inerentes ao conceito e às suas práticas ou políticas aliancistas, absolutamente destoantes. Em dado momento, afirma que irá fazer o "Novo" com o "Velho", seja lá o que isso possa significar. Aliás, escamotear. Recentemente, a imprensa noticiou que ele teve um grande encontro com o também presidenciável, o senador Aécio Neves, do PSDB. O encontro ocorreu no Restaurante Fasano, no Rio, um dos mais "chicos" do pedaço, como diria minha caçulinha Maria Luísa. Bons de garfos, acostumados às tradicionais culinárias pernambucana e mineira, certamente, não pediram os pratos de Marina Silva, caracterizados por algumas regras rígidas. Aliás, como brincou um articulista do site "O Cafezinho", a acriana, na realidade, do ponto de vista político, foi, literalmente, jantada. Marina é um poço de contradições até mesmo no que se refere às questões ambientais, mais, rigorosamente, não estava em seus planos essa aproximação com os tucanos, um grupo com quem mantém divergências substantivas, rejeitados no momento em que decidiu juntar-se ao socialista. Pois bem. Trata-se de uma aliança consolidada no plano nacional. A formalização dos acordos aqui em Pernambuco refletem apenas uma costura de longas datas, onde os partidos mantinham uma espécie de aliança branca. Segundo comenta-se, os cargos do PTB, que desembarca do Governo, devem ir para o PSDB. Um bom marqueteiro - coisa que o Planalto tem - encontrará um mecanismo de evidenciar para os eleitores esse "fosso de contradições" em que o candidato Eduardo Campos está se metendo com essa conversa de botequim sobre a "Nova Política". Tenho observado que ele passou a usar uma "linguagem que povo entende". Quando se referiu às providências do Governo Federal em relação às vítimas das enchentes em Minas e Espírito Santo,  falou sobre as tranca das portas de pois de arrombadas. Pelo visto, as suas estão escancaradas. Penso que a ministra Hoffmann deu uma ligadinha para o Lula. Não deve ter ido buscar inspiração nos gregos, quando se tem um pernambucano que é a maior autoridade quando o assunto é se entender com o povão. Taxou-lhes a pecha de  "ingrato". Pay Attention, galeguinho.

Tijolaço do Jolugue: Quanto custou o réveillon de Paulista? Alguém sabe?

Alguns leitores do blog e amigos do município de Paulista nos enviaram as cifras gastas pelo poder público municipal com a última festa de réveillon. Preciso checá-las para, tão somente, poder divulgá-las, consoante uma política do blog. De antemão, desejamos um Feliz Ano Novo para todos os amig@s de Paulista. Nos últimos dias do ano, andou circulando pelas redes uma notícia sobre uma possível cassação do prefeito socialista daquele município, Júnior Matuto(PSB). Afirmam seus adversários que há uma robustês de irregularidades nas eleições de 2010, o que poderiam custar-lhe o mandato. São dossiês muito mais consistentes do que o possível equívoco cometido pelo prefeito de Petrolina, Júlio Lóssio, no que concerne à regularização fundiária de um loteamento naquela cidade, o que determinou sua cassação, depois revogada pelo TSE. Desde o primeiro momento, afirmamos não acreditar na gestão de Júnior Matuto. Para o bem de nossa cidade, gostaríamos que ele pudesse nos decepcionar. Pelo andar da carruagem política, não é isso que vem ocorrendo. Segundo comenta os nossos amigos do município, a gestão não vai bem das pernas. São nesses "vácuos de gestão ineficientes" que, por vezes insere-se a política do circo, como forma de mascarar a realidade cruel do cotidiano dos cidadãos e cidadãs, submetidos à serviços públicos de péssima qualidade, vítimas de desmandos e coisas do gênero. Não que tenhamos alguma coisa contra as festas de réveillon, mas isso pouco representa quando a cidade está mal-cuidada, com as políticas de saúde, educação, moradia aos frangalhos. Pay attention, prefeito! Nunca vi um secretariado tão festivo, apreciadores de serestas, enquanto os reais problemas da população de nossa cidade não são, rigorosamente, enfrentados. 

Recife e a reinvenção do cinema político


Sucesso do filme O som ao redor lança luz sobre uma nova geração de cineastas pernambucanos
A matéria abaixo faz parte da edição 120 de Fórum. Assine por 1 ano e ganhe as cinco últimas edições aqui.
Por Júlio Delmanto
Cena do filme O som ao redor
“Em seu primeiro longa, Mendonça, um ex-crítico de cinema, narra os ritmos da vida diária em um complexo de apartamentos afluente da cidade costeira brasileira de Recife. O que emerge é um retrato sutil de uma sociedade em vias de uma rápida transformação social, ainda assombrada pelas crueldades de seu passado feudal.” Essa seria apenas mais uma das inúmeras críticas bastante animadas com o filme O som ao redor, dirigido por Kleber Mendonça Filho, se não fosse por seu simbolismo. Afinal, vinha acompanhada de uma indicação entre os dez melhores filmes de 2012 feita pelo respeitado crítico estadunidense A.O. Scott nas páginas do The New York Times. Ao lado dos novos trabalhos de Quentin Tarantino, Michael Heneke e Steven Spielberg nessa lista, o filme era o único latino-americano citado.
Filmado em 2010, O som ao redor estreou no circuito comercial em 4 de janeiro de 2013, trazendo consigo uma enorme aceitação em festivais nacionais e internacionais. Desde sua primeira exibição, no Festival de Cinema de Roterdã, no qual já recebeu prêmio da crítica, obteve 14 prêmios, entre eles os principais da Mostra de Cinema de São Paulo e do Festival do Rio. No caminho inverso do habitual, estreou em 13 salas e viu esse número aumentar para até 18, cruzando a marca de 70 mil espectadores, fato notável para uma produção de R$ 1,8 milhão de orçamento e anos-luz distante da estrutura de um blockbuster sobre vampiros como Amanhecer– parte 2, lançado em 1.228 cinemas pelo Brasil.
O som ao redor é um dos melhores filmes brasileiros de sempre. É um dos melhores filmes feitos recentemente no mundo”, exaltou Caetano Veloso em sua coluna no jornal O Globo. “Com o novo cinema pernambucano, a luta de classes volta ao cinema brasileiro”, sentenciou o crítico e professor Jean-Claude Bernardet na revista Teorema, numa análise que transparece um dos efeitos do sucesso da obra de Kleber Mendonça Filho: lançar luz sobre o restante da produção cinematográfica de diretores pernambucanos que têm em comum não só o fato de serem praticamente novatos, mas também a disposição de utilizar as telas para refletir seriamente sobre o Brasil contemporâneo.
Formado em jornalismo e por muitos anos crítico de cinema em jornais e na internet, tendo inclusive realizado o documentário Crítico, discutindo exatamente este ofício, Kleber Mendonça tem 44 anos e produziu seu primeiro curta em 1997, chegando só 15 anos depois ao lançamento de seu primeiro longa ficcional. Cinéfilo declarado, o cineasta vê agora seu filme revelar para um maior público colegas pernambucanos seus, que já causam burburinho em festivais especializados há alguns anos, como Gabriel Mascaro, de 29 anos, e Marcelo Pedroso, de 33.
Cena do filme Doméstica, de Gabriel Mascaro (Divulgação)
Para o crítico e estudioso do cinema pernambucano Heitor Augusto, filmes de grande potencial como Doméstica, de Mascaro, e Pacific, de Pedroso, deixam de chegar ao público que não é do “gueto” dos especialistas em cinema não por sua qualidade, “mas pelo sistema de distribuição esquizofrênico existente” hoje no País. Apesar de não haver um “movimento” propriamente dito, essa geração tem questões bastante próximas: “São filmes bem preocupados com o que é o cinema, não são filmes que se importam apenas com a mensagem, eles têm no horizonte uma vontade de ser algo a mais. Quase como o encontro de duas ideias marcantes no cinema brasileiro: enfrentar a realidade, como propunha o Cinema Novo, junto com a proposta de reconstruir o cinema, propor outras linguagens, uma certa ironia, como propunha o Cinema Marginal. Não que esses filmes fiquem citando Gláuber e Sganzerla, mas eu vejo nesse grupo de filmes uma vontade que me parece vir tanto daqui quanto dali”, analisa Heitor, ressaltando sua relutância em soar “herético”.
Documentos de uma época em que ainda era possível fazer alguma coisa
“Para mim, a questão não é a presença ou a ausência de política na obra de arte. O que me interessa muito é a potência política que emana a partir dela como experiência e processo”, afirmou Gabriel Mascaro em entrevista concedida à Fórum, de Paris, onde participa há alguns meses de uma residência artística em uma universidade francesa. Em seu mais recente filme, o documentário Doméstica, Mascaro entregou câmeras de vídeo para sete adolescentes, que filmaram o cotidiano de suas empregadas domésticas por uma semana antes de entregar o material bruto para o diretor, que a partir daí brinda o espectador com um poderoso e bem engendrado retrato das relações de poder, cordialidade e desigualdade vividas no cotidiano de famílias de classe média.
Segundo Mascaro, o que mais lhe interessou no filme “foi a capacidade de fabular sobre a negociação da imagem empreendida entre os jovens e as empregadas, cada um a seu modo”. “Se os jovens aproveitaram uma relação de poder dada para adentrar na intimidade da empregada, ou se as empregadas usaram esse artifício audiovisual na relação para se autoficcionalizar, o que me deixa feliz é a potência dessa imprecisão política e ética que emana no filme do início ao fim”, apontou.
Classe média que também é o alvo de Pacific, de Marcelo Pedroso, documentário que se utiliza apenas de registros feitos por passageiros de um cruzeiro – gravações realizadas antes que eles recebessem a proposta de cedê-la ao filme – para refletir sobre “um certo tipo de felicidade”, como resumiu Heitor Augusto. Entre aulas de ginástica nas piscinas e coquetéis de gala com o comandante do navio, cada imagem diz mais do que mil palavras não só sobre os desejos e ambições desses personagens que sonharam com o momento de passar o ano-novo em um navio, como também sobre a sociedade do espetáculo, sobre a consolidação da tecnologia e da imagem como mediadoras das relações sociais mais diversas, cotidianas e íntimas.
“Havia primeiramente uma inquietação sobre a classe média brasileira, uma vontade de problematizá-la – reconhecendo-me eu mesmo nela”, relatou Pedroso à Fórum. “Mas as questões em torno da imagem, da subjetividade presente nelas, da relação com o consumo e do próprio padrão de felicidade buscado pelas pessoas se tornaram muito importantes – em igual proporção ao reconhecimento do afeto, de uma dimensão singela das relações interpessoais, da própria fragilidade humana presente no desejo bulímico de tudo registrar”, continuou.
Além de retratar as classes médias e superiores e sua mediocridade intelectual e ética, como explicita também o polêmico Um lugar ao sol, no qual Mascaro entrevistou moradores de cobertura nem sempre sendo sincero com eles, O som ao redor condensa outros elementos em comum com essa geração de realizadores, como a reflexão sobre a cultura do medo e o consumismo, o olhar sobre a desigualdade social com base no contexto urbanístico, a crítica à especulação imobiliária e ao racismo, a busca pela experimentação e o requinte formal.
“Os filmes serão documentos para o futuro, talvez de uma época quando, em visão retrospectiva, ainda teria sido possível fazer alguma coisa”, apontou Mendonça em artigo publicado na revista online Continente, prosseguindo: “De fato, o problema é menos a cidade e bem mais o que estão fazendo com ela.” “A demolição e a alteração do espaço urbano subtraem obrigatoriamente o que existia antes. A cada novo projeto anunciado e aprovado pelos que deveriam proteger o Recife, vemos sumirem cada vez mais as possibilidades de um espaço público mais sensível, mais inteligente, mais humano”, complementa o diretor.
“Os filmes se voltam para o que seria uma violência seminal: uma investigação em torno do cisma social brasileiro, sua origem e permanência”, resumiu Marcelo Pedroso, ressaltando também um outro aspecto importante do caráter crítico dessas diversas produções: a busca por um tom distante do panfletário e doutrinário que permeou boa parte da cinematografia “engajada” brasileira. “O que faz sentido nos filmes, o que os justifica é a capacidade que eles podem ter de articular um pensamento crítico do mundo. Essa é a política que lhes cabe”, apontou.
Heitor Augusto qualifica O som ao redor como “espetacular”, vendo nele a importância para o cinema brasileiro contemporâneo que tiveram Terra estrangeira, de Daniela Thomas e Walter Salles, para a produção da década de 1990, e Cidade de Deus, para os anos 2000. Ressalta, ainda, a compreensão da diferença de tom em relação à abordagem política como fundamental não só para o entendimento do filme de Mendonça Filho, como para o de uma parte relevante da produção pernambucana recente.
“A gente sempre teve um cinema bem didático, bem marcado, dos anos 1980 pra cá, os filmes do Sérgio Bianchi, da Lucia Murat, nos quais você percebe uma dramaturgia inteiramente engessada, colocando sempre a mensagem e sempre a nobreza do tema do filme acima de qualquer coisa”, analisa o crítico, colaborador de publicações como Interlúdio, Rolling Stone e Valor Econômico, que diz não ver essa postura nos trabalhos dessa nova geração pernambucana, que seria responsável inclusive por aprofundar as proposições dos cineastas pernambucanos da geração anterior, composta por nomes como Claudio Assis, Adelina Pontual, Lírio Ferreira, Paulo Caldas, Marcelo Gomes e Hilton Lacerda cuja expressão primeira foi o filme Baile perfumado, lançado em 1997.
Para Augusto, essa geração anterior teria perdido “o protagonismo e a capacidade de estar na frente para falar sobre o que estamos vivendo e também a capacidade de fazer filme bom”. “O som ao redor dá muito mais conta de pensar sobre como fazer uma inserção política na pós-modernidade do que, por exemplo, A febre do rato, do Cláudio Assis, que a meu ver não ajuda a pensar o presente”, avalia.
Por que Recife? 
Gabriel Mascaro define como “orgânica” a conexão entre seus trabalhos e os produzidos por seus colegas pernambucanos contemporâneos, mas ressalta: “A parceria e a admiração é real e sincera. Mas não saberia dizer ao certo se estamos em curso num ‘movimento’. A aproximação temática ou estética é mais acidental que planejada.” Questionado sobre o porquê de esse grupo surgir exatamente em Recife, Marcelo Pedroso supõe que “deve haver uma série de fatores que ajudaram a criar uma base consistente de produção. Vejo sempre com muito carinho a importância que tiveram, e ainda têm, as atividades do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco”, que tem curadoria de Luiz Joaquim em parceria exatamente com Kleber Mendonça Filho. “Nos últimos dez anos, foi um dos mais importantes espaços de formação em cinema da maioria do pessoal que está fazendo filmes hoje. Era lá que víamos os filmes, que os debatíamos, que nos encontrávamos. Lá e nos cineclubes das faculdades. Hoje é diferente, todo mundo consegue ver os filmes que quiser simplesmente baixando-os pela internet. Mas o cinema da Fundaj ajudou a despertar em muitas pessoas o interesse por audiovisual.”
Para o crítico Heitor Augusto, não é fácil encontrar uma resposta que indique o porquê do surgimento dessa cena em Recife. Ele ressalta o surgimento e a difusão do movimento manguebeat, liderado por Chico Science, como importante nesse processo, por haver ali uma “retomada de um protagonismo, mas um protagonismo de jovem, o que ajuda a constituir uma cena”. Ele lembra também de outro aspecto, a forte especulação imobiliária em curso no Recife, que tem mudado a cara da cidade. “Em muitos desses filmes fazer cinema político e pensar a realidade estão completamente ligados a um modelo de cidade. Talvez eles estejam mais dispostos a tocar nesses temas porque essa cidade está mudando com mais força na cara deles agora.”
Mascaro destaca um outro fator: o apoio estatal. “Acho que em Pernambuco existe uma importante cena que possibilitou não só a realização dos meus projetos com fundos estaduais, mas também a continuidade dessa pesquisa. Isso envolve a organização dos realizadores e artistas e também o fortalecimento das políticas públicas locais.” Do orçamento total de O som ao redor, R$ 550 mil foram provenientes do fundo para o audiovisual do governo do estado de Pernambuco, por exemplo. Augusto concorda com a importância desse fator, lembrando que “talvez do Nordeste inteiro, Pernambuco seja o único estado que tem uma política de incentivo no nível de São Paulo e do Rio de Janeiro”. “Então, além de inquietação estética, de cineastas talentosos, existe ali uma questão de política cultural, uma produção regular e constante”, salienta, antes de concluir: “Mas acho que ninguém tem essa resposta, até mesmo os realizadores de lá não têm; em debates, eles chegam a brincar dizendo que ‘deve ser algo que tem lá na nossa água’.”
Tanto Augusto quanto Pedroso fizeram questão de destacar, em suas entrevistas, que mesmo que esteja em evidência e apresente bons nomes e novos valores, o cinema pernambucano não detém a exclusividade do cinema de qualidade no Brasil atualmente. Citaram como exemplos interessantes a recente produção cearense ou o filme vencedor do último Festival de Tiradentes, A cidade é uma só, que fala sobre a formação de Ceilândia, na periferia de Brasília.
Pedroso, no entanto, acha que a repercussão de O som ao redor não é suficiente para resolver os problemas do cinema brasileiro: “É uma grande surpresa. Do jeito que o mercado está, o filme ter chegado a essa quantidade de público é algo realmente animador. Mas, de modo geral, acho que estamos no caminho errado”, afirmou, vendo no atual cenário um “problema estrutural mesmo, não é só do mercado ou de divulgação”. Para o diretor, a sociedade brasileira como um todo precisaria se repensar em termos de cultura (arte em geral, cinema etc.) e criar mecanismos que viabilizem um outro tipo de consumo”. F

(Publicado originalmente na Revista Fórum)