domingo, 29 de dezembro de 2013

Tijolaço do Jolugue: Melhor seria liquidar a fatura ainda no primeiro turno.

Dizia o velho Ulisses Guimarães que, em política, " Nunca devemos estar tão distante que não possa se aproximar, nem tão próximo que não possa afastar-se". Com essa máxima, o jornalista Josias de Souza publicou um post em seu blog, no dia de hoje, comentando as articulações entre os dois presidenciáveis, Aécio Neves e Eduardo Campos. O projeto de ambos parece muito óbvio, que seria levar as eleições presidenciais de 2014 para um segundo turno, onde ambos já teriam antecipado a possibilidade de apoio mútuo, consoante quem estiver melhor na fita. É curioso como, com tanta antecedência, essa costura possa estar tão consolidada. Somente alguns membros do PT, principalmente aqui da província, insistem em não ver isso. A previsão do marqueteiro do Planalto, João Santana, de que teríamos uma autofagia entre anões, parece que não está se confirmando. Penso ser improvável uma derrota de Dilma Rousseff nessas eleições, mas seguro morreu de velho. Melhor seria liquidar a fatura ainda no primeiro turno.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Tijolaço do Jolugue: Pede para sair, Cristina Buarque


Durante o imbróglio da repercussão negativa das declarações do ex-secretário de Defesa Social, Wilson Damázio, escrevemos uma longa crônica sobre o assunto, nunca publicada, dada a celeridade com que ele foi afastado do cargo. Mais recentemente, porém, confesso que motivado pelo artigo publicado no dia de ontem, no blog de Jamildo, pelo cientista político Michel Zaidan, passou-nos a inquietar as ações e omissões concernentes a Secretária da Mulher, comandada pela também cientista política Cristina Buarque, companheira da Fundação Joaquim Nabuco. Seria não apenas natural, mas absolutamente necessário que ela se pronunciasse sobre o assunto. Sobretudo enquanto Secretária da Mulher, num Governo onde um de seus agentes, ocupante de um cargo estratégico, faz uma declaração absolutamente infeliz sobre o comportamento da corporação. Em última análise, transpareceu para a opinião pública, como descreve o eminente professor Michel Zaidan, uma opinião de corte sexista, homofóbica e eivada de preconceitos. Numa situação como essa, como um Secretária da Mulher podeira se omitir? Seria muito interessante que as entidades que assinaram um manifesto contra as declarações do ex-secretário de Defesa Social também se colocasse sobre o assunto. Do contrário, Cristina, se você discorda do seu companheiro de Governo, pede para sair. Ou você assume posições de conveniências?

Tijolaço do Jolugue: PT pernambucano assiste de camarote às movimentações de Eduardo Campos.


Por vezes nos preocupam o cálculo do PT em relação ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos, na eventualidade de um segundo turno nas eleições presidenciais de 2014. Embora em política tudo seja possível, os indicadores do momento indicam uma aliança consolidada entre o PSB e o PSDB. Isso vem ocorrendo em várias quadras estaduais, inclusive em Pernambuco. Recentemente, o grão-mestre dos tucanos no Estado manteve um encontro com o governador para acertas os ponteiros antes mesmo das festas de réveillon. Tudo isso vem sendo concretizado consoante acordos entre os dois principais caciques da legenda, que andaram trocando talheres em restaurante chique do Rio de Janeiro. Aliás, tanta frequência do "galeguinho" àquele Estado, logo ele assume a condição de "menino do Rio". O governador pernambucano vem adotando uma postura cada vez mais dura em relação ao Governo Federal. A troca de farpas é uma constante, mas o PT pernambucano ainda aposta num alinhamento, adotando uma postura confusa, aceitando convite para os canapés, mantendo seus feudos de DAS no plano municipal e estadual. Vá entender! Seria o cálculo da paleta de cordeiro?

Tijolaço do Jolugue: Vai cantar noutra freguesia, Cabral.

Definitivamente, 2013 foi um ano muito ruim para o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Sérgio saiu das urnas, nas eleições de 2010, como uma grande esperança do PMDB no tabuleiro da política nacional. Seria uma peça importante nos arranjos de 2014 e, possivelmente, um coringa da legenda na eventualidade de tentar ocupar a poltrona presidencial nas eleições de 2018. Uma sequência de erros o colocaram no limbo da política. Além dos escândalos com o uso irregular de equipamentos públicos, denúncias de tráfico de influência e desmandos na gestão, o fantasma de Amarildo o assombra cotidianamente. Recentemente teria encomendado algumas pesquisas qualitativas e os resultados, como já se esperavam, não foram nada animadores. Seria muito interessante que ele colocasse a viola no saco e fosse cantar noutra freguesia. A res publica ficaria agradecida.
Foto: Vai cantar noutra freguesia, Cabral. 


2013, definitivamente, foi um ano muito ruim para o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Sérgio saiu das urnas, nas eleições de 2010, como uma grande esperança do PMDB no tabuleiro da política nacional. Seria uma peça importante nos arranjos de 2014 e, possivelmente, um coringa da legenda na eventualidade de tentar ocupar a poltrona presidencial. Uma sequência de erros o colocaram no limbo da política. Além dos escândalos com o uso irregular de equipamentos públicos, denúncias de tráfico de influência e desmandos na gestão, o fantasma de Amarildo o assombra cotidianamente. Recentemente teria encomendado algumas pesquisas qualitativas e os resultados, como já se esperavam, não foram nada animadores. Isso muito interessante que ele colocasse a viola no saco e fosse cantar noutra freguesia. A res publica ficaria agradecida.

Tijolaço do Jolugue: De que, afinal, é a culpa pelas tragédias no Espírito Santo.

De quem, afinal, é a culpa das enchentes que estão ocorrendo nos Estados do Espírito Santo e Minas Gerais. Praticamente num ano de eleições - faltam apenas alguns dias - essa questão vem se tornando um motivo de agravamento das desavenças entre o PSB e o PT. Renato Casagrande é governador do Espírito Santo, socialista, mas já afirmou que ficará neutro nas eleições presidenciais de 2014, em razão da manutenção da aliança estadual com o PT, bem consolidada naquele Estado. Tanto o Governo Federal quanto o PSB alegam excesso de burocracia no que concerne aos processos de liberação de recursos para obras preventivas. Beto Albuquerque, líder do PSB na Câmara, acusa a ministra Gleisi Hoffmann de ter mantido nos escaninhos nos Ministério da Casa Civil emendas que poderiam desburocratizar o envio de recursos para obras dessa natureza. Isso é recorrente. Não há como negar a ausência de um empenho maior dos governantes no tocante à medidas que pudessem minimizar essas tragédias. Onde será a próxima? Tanto os governos estaduais quanto o Governo Federal pecam ao "segurar recursos" que, quando bem aplicados, poderiam prevenir essas tragédias. Ambos tem culpa no cartório.
Foto: Tragédia no Espírito Santo - De quem, afinal, é a culpa?


De quem, afinal, é a culpa das enchentes que estão ocorrendo nos Estados do Espírito Santo e Minas Gerais. Praticamente num ano de eleições - faltam apenas alguns dias - essa questão vem se tornando um motivo de agravamento das desavenças entre o PSB e o PT. Renato Casagrande é governador do Espírito Santo, socialista, mas já afirmou que ficará neutro nas eleições presidenciais de 2014, em razão da manutenção da aliança estadual com o PT, bem consolidada naquele Estado. Tanto o Governo Federal quanto o PSB alegam excesso de burocracia no que concerne aos processos de liberação de recursos para obras preventivas. Beto Albuquerque, líder do PSB na Câmara, acusa a ministra Gleisi Hoffmann de ter mantido nos escaninhos nos Ministério da Casa Civil emendas que poderiam desburocratizar o envio de recursos para obras dessa natureza. Isso é recorrente. Não há como negar a ausência de um empenho maior dos governantes no tocante à medidas que pudessem minimizar essas tragédias. Onde será a próxima? Tanto os governos estaduais quanto o Governo Federal pecam ao "segurar recursos" que, quando bem aplicados, poderiam prevenir essas tragédias. Ambos tem culpa no cartório.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Tijolaço do Jolugue: Com a palavra, a secretária da mulher.

As declarações infelizes do ex-secretário de Defesa Social, Wilson Damázio, continuam rendendo tintas pela imprensa. Ao pronunciar-se sobre a ocorrência de crimes de estupros praticados por membros da corporação militar, ao invés de colocar-se veementemente contra essas práticas e indicar providências corretivas, o senhor Damázio incorreu no equívoco de, digamos assim, esquecer sua condição de homem público e orientar-se pelos estereótipos recorrentes em sociedades como a pernambucanas que acabam indutando as responsabilidades de crimes cometidos contra as mulheres e homossexuais às próprias vítimas. Ainda hoje, em artigo no blog do Jamildo, o cientista político Michel Zaidan Filho voltou a comentar o assunto. Entre tantas reflexões, o mestre levanta uma questão que merece ser repercutida aqui pelas redes sociais: Por que a secretária da mulher, Cristina Buarque, não se pronunciou sobre o assunto? Vamos exigir isso dela?

Tijolaço do Jolugue: Facções criminosas ordenam estupros nas ruas de São Luiz


Até bem pouco tempo, pouca coisa se sabia sobre o quadro caótico da segurança pública no Estado do Maranhão. Foi preciso que entidades como a OEA ( Organização dos Estados Americanos) se manifestasse a respeito, exigindo explicações do Governo daquele Estado, para que a grande imprensa saísse do seu estado de letargia e omissão e passasse a informar sobre o assunto. O quadro mais emblemático é o do complexo penitenciário de Pedrinhas, onde facções assumiram o controle da situação, estuprando familiares dos presidiários, extorquindo e assassinando inimigos e desafetos. Nem as autoridades constituídas do Estado teriam permissão para entrar em determinados pavilhões. Voltamos a um estado de absoluta selvageria no Maranhão. Não há como deixar de responsabilizar a dinastia que controla o Estado por quase cinco décadas pelos fatos recentes. Pela fala da governadora, que deseja construir 11 presídios em caráter emergencial, sem licitações, percebe-se a dimensão do problema, ou seja, providências já deveriam ter sido tomadas bem antes. Hoje ocorreram mais dois lances curiosos dessa refrega entre autoridades públicas e autoridades do crime organizado. Enquanto o chefe do clã que controla o Estado festejava o fato de a violência estar circunscrita aos presídios, os chefes do crime organizada ordenavam o estupro de mulheres nas ruas de São Luiz.

Michel Zaidan Filho: O governador, o secretário e Gilberto Freyre



A despeito da lei Maria da Penha, das delegacias especializadas nos crimes contra a mulher e da criação de uma secretaria destinada á promoção de ações em favor da mulher, o assassinato das mulheres em Pernambuco bem como os abusos praticados contra os homossexuais não diminuíram em nosso estado. Há muitas razões para isso: e aquelas ligadas à mentalidade dominante não é menos importante.


Agora a pouco, tivemos um exemplo dessa arraigada mentalidade misogínica e homofóbica protagonizado , nada mais nada menos, pelo ex-secretário da Defesa Social, policial oriundo da corporação militar federal. Há uma mentalidade muito persistente, transmitida e encorajada pelas mulheres e alguns magistrados, do que a violência praticada contra as mulheres e os homossexuais é causada pelas próprias vítimas!



Numa espécie de vitimologia de botequim, os defensores dessa tese alegam que são as mulheres e os próprios homossexuais que dão motivo e pretexto para que sejam atacados, vilipendiados pela polícia e outros meliantes. O argumento é que os policiais recebem, na rua, muitos bilhetinhos com declarações de amor e de desejo enviados pela população civil a eles, numa espécie de excitação social por causa da farda, dos músculos, do porte atlético, da virilidade etc.etc.etc. E que muitos agentes fardados da segurança pública do estado simplesmente não resistem ao assédio sexual. Pode uma coisa como essa?



Não sei se o governador, que acaba de se reunir com uma conhecida entidade de direitos humanos do Recife, compartilha com essa tese do seu ex-subordinado e releve os crimes sexuais cometidos pela polícia contra mulheres negras e pobres e homossexuais. Se compartilha, deve ter bebido esses ensinamentos valiosos numa leitura vesga da obra de outro ilustre pernambucano de Apipucos, Gilberto Freyre, que fala explicitamente no resquício de uma herança sado-masoquista oriunda das relações escravagistas em nossa região.



A questão é a seguinte: supondo que a herança verdadeira, nós devemos louvar e exaltar essa virilidade dos machos copuladores contra fêmeas exitadas, mais ainda pelos homens de farda e de porrete, ou devemos combater essa herança como uma patologia histórica e social? - Curioso é que a secretária da Mulher, ex-aluna de Ciência Política, que defendeu uma dissertação sobre "o feminismo como crítica civilizatória", não seja convidada a participar dessa discussão!



Ela não é, por acaso, a secretária dos assuntos relativos à mulher em Pernambuco? O que é que ela tem a dizer sobre o assunto? Trata-se de uma crime tipificado no código penal essa tendência sado-masoquista da polícia contra criatura indefesas e pobres ou é um traço cultural-nordestino-pernambucano do qual muito nos honramos ou nos orgulhamos, como nossos antepassados faziam das cicatrizes da sífilis - prova de masculinidade entre as escravas e mucamas?



De toda maneira, cabe uma palavra (e ações) tranquilizadoras do chefe do Poder Público em nosso estado, sobre um aparelho policial em relação ao qual, o chefe do executivo estadual, nunca alimentou ilusões.



Pelo contrário: foi se socorrer dos favores da Universidade (invadida pela corporação policial) para achar uma fórmula de lhe dar com essa polícia. Se a polícia é um mal necessário na sociedade, é preciso se cercar dos controles e remédios indispensáveis para tolher seus abusos e arbitrariedades que a posse (e a esperança de impunidade) de um distintivo e uma arma parece conferir a seus membros. Vai ser polícia, quem não pode ser engenheiro, arquiteto, médico, advogado, capitalista ou qualquer outra coisa.



Os policiais são filhos do povo, pela sua origem humilde e sem oportunidades de crescer na vida. Infelizmente, são os que mais oprimem a população, talvez por um efeito de distanciamento psicológico, cujo fim seria renegar as próprias origens sociais. o que fazer para acabar com isso?

Michel Zaidan Filho é filósofo, historiador e professor da UFPE

Tijolaço do Jolugue: O que, afinal, é essa "Nova Política"?

Tivemos o cuidado de ler com atenção as entrevistas concedidas aos jornais locais pelo prefeito do Recife, Geraldo Júlio, e o governador do Estado, Eduardo Campos. São entrevistas que foram devidamente arquivadas para orientarem nossas avaliações dos governos municipal e estadual daqui para frente. Dois artigos foram publicados no blog de Jamildo, abordando alguns dessas entrevistas. Um escrito pelo cientista político Michel Zaidan e outro pela Procuradora Judicial do Município e articulista daquele blog, Noelia Brito. Em ambos, volta ao debate essa "Nova Política" à qual o governador se diz hoje partidário, traduzida como uma espécie de plataforma de suas aspirações presidenciais, sobretudo depois do momento em que vinculou-se a Marina Silva. Durante a entrevista, Eduardo Campos tergiversou bastante sobre o assunto, envolto numa peça ficcional onde não existem práticas concretas que possam dar suporte à teoria e, a rigor, desconhece-se a teoria. O que, afinal, é essa "Nova Política"? Em certa medida, o termo teria surgido a partir das reflexões do sociólogo espanhol, Manuel Castells, sobre a revolução promovidas pelas redes sociais no que concerne às mobilizações sociais e a falência do modelo de democracia representativa burguesa, corrompido por expedientes de tráfico de influência, representação de grupelhos de interesses corporativos e desvios de recursos públicos, subtraindo as demandas coletivas. Castells veio ao Brasil, realizou algumas conferências e o grupo que orbita em torno da acriana Marina Silva aproximou-se do teórico, elegendo-o como uma espécie de guru ou ideólogo. Marina é a contradição em pessoa. O modelo de desenvolvimento sustentável proposto pelo grupo passa por profundos questionamentos. Sustentabilidade mesmo só a financeira, uma vez que o grupo conta com participantes de peso dos banqueiros paulistas. A aliança com Eduardo Campos atendeu estritamente a interesses pragmáticos, nunca programáticos, seja lá o que isso signifique. O modelo de crescimento adotado no Estado relegou completamente as questões ambientais. Poderia citar alguns dados aqui, mas isso iria cansar o eleitor minimamente informado. Trata-se de um Governo motosserra. Penso, sem nenhum exagero, que os índices de desmatamento de mata atlântica no Estado hoje seriam superiores ao período mais nefasto do apogeu da economia da cana-de-açúcar. Quando ele entra no terreno político, aí, então, é que as coisas descampam de vez, com a sua afirmação de que irá realizar o "Novo" com o "Velho". Certamente ele entregará a missão de realizar as reformas fundiárias aos ruralistas liderados por Ronaldo Caiado.
 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Tijolaço do Jolugue: Tucanos apoiariam nomes socialistas em Pernambuco e na Paraíba.

Ricardo Coutinho é um dos governadores socialistas que se preparam para a reeleição em 2014. Montou um arco de alianças expressivo, mas falta encaixar uma pedra fundamental no tabuleiro da política paraibana: para onde caminha o senador Cássio Cunha Lima(PSDB), praticamente responsável pela sua condução ao Palácio Redenção nas eleições de 2010 . Há um ligeiro estranhamento entre ambos, mas, em função de uma série de fatores, a aliança pode ser reeditada. Cássio é um dos principais coordenadores da campanha do senador Aécio Neves. Neste caso em particular, o jogo pesado da política nacional poderá decidir os rumos aliancistas na quadra paraibana. É que Cássio tem uma relação forte com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Há uma aliança velada entre Aécio e Eduardo e, nesse jogo, ficaria acertado que os tucanos apoiariam os nomes indicados pelo PSB em Pernambuco e na Paraíba. Ainda no contexto das eleições nacionais, o mais impressionante é que "o galeguinho" parece ter fechado acordo já para um possível segundo turno. Apenas o PT pernambucano insiste em não ver isso.

Tijolaço do Jolugue: Em 2014, vem para a rua você também.

Por vezes fico imaginando se alguém já teve a curiosidade de calcular os danos ao erário promovido por pessoas como esse nosso, imaginem, Presidente do Senado Federal. O Elio Gaspari, tomou o cuidado de enumerar algumas de suas estripulias com o dinheiro da Viúva, apenas aquelas em que, por alguma razão, o cidadão foi pego com a mão na massa. A lista é grande. Trata-se de alguém que incorporou o desvio de conduta à sua vida cotidiana, cometendo deslizes com uma regularidade incomum. Até recentemente foi acusado de usar um jatinho da FAB para ir a um casamento em Trancoso, na Bahia. Isso quando a população estava em praça pública reclamando exatamente contra esse tipo de comportamento dos homens que foram eleitos para nos representar. Como diria nossas avós, o homem não toma emenda. Agora, também de forma irregular, veio ao Recife para realizar um implante de cabelos. O artigo do jornalista Elio Gaspari dimensiona a profunda crise de representatividade no país. O cabra é um mestre no "traquejo político", hoje homem forte na articulação da coalizão PT/PMDB. Não cai pelos instrumentos disponíveis em nossa frágil democracia representativa. Em 2014, vem para a rua você também.

Qual esquerda? Os dois tipos de esquerda na Europa


Há dois tipos de esquerda na França e na Europa, que não são apenas diferentes, mas irreconciliáveis. Uma esquerda oficial e uma esquerda radical.


Michael Löwy
Arquivo

 
Há dois tipos de esquerda na França e na Europa, que não são apenas diferentes, mas irreconciliáveis.
 
A primeira é a esquerda oficial, institucional, representada por certos governos de centro-esquerda – na França, por exemplo – e pelos grandes partidos de centro esquerda. Quer esses governos e partidos sejam « honestos » ( ?) ou corrompidos, partidários do « crescimento » ou da « austeridade », social-liberais ou neoliberais, eles não representam mais do que variantes da mesma política, a do sistema. 
 
Como seus adversários de centro-direita – com os quais frequentemente governam em (Grécia, Alemanha, Itália) – sua política é a do capitalismo globalizado. Uma política que perpetua e agrava as desigualdades, que perpetua e acelera a destruição do meio ambiente, que conduziu à presente crise econômica e que conduzirá, em algumas décadas, a uma catástrofe ecológica.
 
Mas existe também outra concepção de esquerda : aquela da esquerda radical. « Esquerda » significa aqui combate permanente contra a desigualdade, a injustiça, a dominação, em defesa da criação de uma comunidade política livre e igualitária.

O ponto de partido dessa outra política de esquerda é a « indignação ». Celebrando a dignidade da indignação e a incondicional recusa da injustiça, Daniel Bensaïd escreveu : « A corrente fervente da indignação não é solúvel nas águas mornas da resignação consensual. (...) A indignação é um começo. Uma maneira de se erguer e se por a caminho. Nós nos indignamos, nos insurgimos, e depois vemos o que fazer » (1) 
 
Sem indignação nada de grande, de profundo, se fez na hisyória humana. Para dar um exemplo recente, o movimento zapatista de Chiapas, México, começou em 1994 com um grito : Basta ! Mas o mesmo vale para a Primavera Árabe, para a revolta dos Indignados na Espanha e na Grécia, para o movimento Occupy Wall Street, para as jornadas de junho no Brasil. A força dessses movimentos vem, em primeiro lugar, desta negatividade radical, inspirada por uma profunda e irredutível indignação. Se o pequeno panfleto de Stéphane Hessel, « Indignez-vous ! », teve tanto sucesso é porque ele correspondia ao sentimento profundo, imediato, de milhões de jovens, de excluídos e oprimidos pela mundo.
 
A radicalidade dessas revoltas resulta, em larga medida, dessa capacidade de insubmissão, dessa disposição inegociável a dizer : Não ! Os críticos oportunistas e os medios de comunicação insistem fortemente no caráter excessivamente « negativo » desses movimentos, em sua natureza « puramente » contestatória e na ausência de proposições alternativas « realistas ». É preciso recusar categoricamente essa chantagem : mesmo que esses movimentos não tenham uma proposição a fazer – e eles têm ! -, sua indignação e revolta não serão menos justificáveis.
 
O outro ingrediente da esquerda, no melhor sentido – ou seja, plebeu - do termo, é a utopia. O sociólogo Karl Mannheim cunhou uma definição « clássica » de utopia, que ainda hoje é a mais pertinente que temos : todas as representações, aspirações ou imagens de desejo, que se orientam na direção da ruptura da ordem estabelecida e exercem uma « função subversiva » (2).
 
Sem indignação e sem utopia, sem revolta e sem isso que Ernest Bloch chamava de « paisagens do desejo », sem imagens de um outro mundo, de uma nova sociedade, mais justa e mais solidária, a política de esquerda torna-se mesquisa, vazia de sentido e ôca.
 
Notas
 
(1) D. Bensaïd,  Les irréductibles.  Théorèmes de la résistance à l’air du temps,   Paris, Textuel,  2001,   p. 106.
 
(2) K.Mannheim,  Ideologie und Utopie,  1929,  Francfort,  Verlag G.Schulte-Bulmke,  1969,  pp. 36,  170.

(Publicado originalmente no Portal Carta Maior)

Créditos da foto: Arquivo



Michel Zaidan Filho: Sem ressentimentos.

 



Com um milhão de reais para fazer licitação entres as agências de propaganda e os veículos de comunicação social, tendo em vista da propaganda oficial do governo de Pernambuco, o sr. Eduardo Campos pode se dar o luxo de aparecer em todos os jornais locais, no último domingo, com um discurso apaziguador, de concordância e harmonia, como recomenda o espírito de Natal.

Prestes a desembarcar da chefia do Estado, para alçar voo em direção às eleições presidenciais, o mandatário pernambucano adota o tom adequado de quem é amigo de todos, pai da nação, irmão mais velho, preocupado com o bem comum dos pernambucanos, e não com a sorte de sua aventura política e eleitoral. E não aceita o rótulo de "traidor" ou "infiel". Poderia dizer, como o antigo secretário de estado norte-americano, John Foster Dulles, um político não tem amizades,tem interesses a perseguir. E sempre estará mudando de posição quando isto for conveniente aos seus interesses. Maquiavelismo abastardado, aprendido com o seu secretário da Casa Civil, ex-militante comunista.


Não é mera coincidência que esse tom melífluo e contemporizador venha depois do afastamento, que já não era sem tempo, do seu secretário da Defesa Social, o membro do Polícia Federal, a quem o governador entregou o comando de sua tropa de choque. O referido policial, do alto de sua arrogância e de seus preconceitos, expressou a tese de que as mulheres pernambucanas são estrupadas e violentadas pela polícia, porque sentem uma atração fatal pela farda, pelo coturno, pela continência. É a vitimologia do cientista da SDS.

A culpa é das vítimas, não dos agressores fardados, pagos com o dinheiro público para proteger a população, não para atentar contra o pudor. A outra tese do grande cientista policial é a de que a homossexualidade é um problema de família, das famílias tradicionais. Não sei onde leu essas teses. Não foi, com certeza, na obra de Gilberto Freyre, que menciona expressamente a herança sado-maso quista deixada pela escravidão africana no Brasil.


Esse impoluto homem da lei já deveria ter sido afastado há mais tempo. Desde quando autorizou a força policial a reprimir as manifestações sociais contra o governo e a favor das políticas públicas, e não da construção de estádios inúteis e caros de futebol.



Saiu tarde. Poderia nos ter poupado da invasão do campus universitário e da presença indesejável da polícia militar no recinto da UFPE. Outro que poderia ser mandado embora é o secretário da Saúde. O ilustre magistrado Roberto Wanderley acolheu, com a sua proficiência jurisdicional, o pedido de afastamento do cidadão, por conflito de interesses e medidas atentatórias contra o SUS e o interesse público, como foi o desmonte do centro de Transplante da Medula Óssea.

O IMIP, instituição público-privada do secretário, pode ser um centro de excelência médica, mas não pode usurpar a prestação uniforme e universal do Sistema Público de Saúde, recebendo equipamentos e verbas destinados à saúde pública. Isso é um crime de lesa-sociedade. Sobretudo daqueles que mais precisam da prestação estatal desses serviços, por não poder paga por eles.


Finalmente, uma nota triste: surpreendi num dos comerciais da gestão do Governo do Estado, o rostinho ingênuo de uma ex-aluna e ex-orientanda, usada para fazer propaganda das escolas pilotos da rede estadual de ensino.


É lamentável, sob todos os pontos de vista, que os professores e outros funcionários públicos sejam "convencidos" e "convidados" a fazer propaganda a favor do gestor! Onde fica a impessoalidade, a legalidade e a publicização dos atos da administração pública?
(Michel Zaidan Filho é filósofo, historiador e professor da UFPE)


Tijolaço do Jolugue: O Estado do Maranhão está podre.



As atrocidades continuam sendo cometidas em Pedrinhas, o maior complexo penitenciário do Maranhão, terra dos Sarney. O caos tomou conta do sistema penitenciário do Estado. Chegou um momento em que a imprensa comprometida com a aligarquia local não conseguiu "desinformar" a população sobre o que, de fato, estava ocorrendo em Pedrinhas, onde facções criminosas impõem o terror nos presídios, estuprando parentes de presidiários, extorquindo, assassinando e degolando desafetos, além de outras atrocidades. O Governo Federal e a OEA já pediram explicações ao Governo do Estado sobre as providências que estarão sendo tomadas para controlar a situação. Publicamos hoje no blog, a partir do site Viomundo, com matéria assinada por Luiz Carlos Azenha, uma excelente reportagem sobre o sistema penitenciário brasileiro, com enfoque sobre o caso do Maranhão. Segundo consta, a governadora Roseana Sarney pretende construir 11 novos presídios com o apoio do BNDES, sem licitação. Imaginem onde isso vai dar. Os Sarney enfrentam sérios problemas. Há uma possibilidade concreta de que sua hegemonia política de quase cinco décadas seja quebrada nas eleições de 2014. Seria muito importante que o procedimento democrático do rodízio de poder pudesse ser experimentado naquela província. O Estado está podre.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Um Feliz Natal a todos que nos acompanharam em 2013



Em 2014 o blog volta renovado, com novas sessões, possivelmente numa outra plataforma, com novos colaboradores da área de ciência política e o aprofundamento do jornalismo investigativo. Com a definição de uma identidade, o blog tem recebido inúmeras denúncias de desmandos na administração pública em inúmeras instituições - algumas delas bem conhecidas do autor - mas tem evitado publicá-las sem o apoio jurídico e investigativo necessário, fundamental para preservar as garantias individuais e o livre exercício da liberdade de informar com responsabilidade. Gostaríamos de agradecer profundamente aos amig@s que nos acompanham, aos colaboradores individuais e institucionais que asseguram a continuidade de nosso trabalho. Um agradecimento todo especial aos amigos jornalistas e blogueiros de outros Estados, que nos permitem "furar" o bloqueio imposto pela imprensa comprometida política e financeiramente com grupos que, não necessariamente, rezam na cartilha da transparência de suas ações. Um exemplo muito claro disso é o que ocorre no Estado do Maranhão, que experimenta um quadro de altíssimos índices de violência, mas que poucas pessoas conseguem acompanhar. Há relatos de crimes de pistolagem, estupros de mulheres de presidiários quando vão visitar seus parentes, entre outras atrocidades. Outro dia recebi uma foto de um blogueiro daquelas terras mostrando um quadro monstruoso: quatro presos degolados. Nesse aspecto, a blogsfera vem cumprindo um papel fundamental. Em muitos aspectos, com todos os elogios que se possa fazer ao trabalho de jornalismo do Jornal do Commércio com a matéria sobre os 80  anos do livro Casa Grande & Senzala, quem, de bom-senso, poderia ignorar o papel das redes sociais para repercutir negativamente as declarações do ex-secretário de Defesa Social, Wilson Damázio, culminando com seu pedido de demissão? Com apoio jurídico, agindo dentro de parâmetros estritamente republicanos - evitando o "linchamento" orquestrado de inocentes que contrariam interesses inconfessáveis - como diria um ex-delegado da SUNAB, vamos butar para lascar em 2014. Um feliz Natal a todos, muito em especial à Comunidade Quilombola de São Lourenço, em Goiana, por quem o editor tem um carinho todo especial. Agora vamos acompanhar a gurizada nas andanças pelos manguezais do Rio Gramame, dançar um coco de roda nas comunidades quilombolas do Conde, tomar um suco de mangaba bem geladinho, comer um caldinho de fava acompanhado de uma lapada de Volúpia, enfim, curtir as delícias do litoral sul da Paraíba nessa época do ano. Vamos em frente!   

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

STF virou um partido político?

22 de dezembro de 2013 | 09:33 Autor: Miguel do Rosário

aecio_joaquimbarbosa
As primeiras notícias deste domingo são alarmantes. Na Folha, me deparo com a seguinte manchete: Congresso inerte é risco à democracia, diz ministro do STF (Luis Barroso).
Concordo com a frase. Com certeza, milhares de brasileiros repetem-na diariamente em botequins, cafés e universidades. Só que não ela não cai bem num ministro do Supremo, ainda mais para justificar uma invasão de poderes. Barroso diz que o STF tem de “empurrar a história”. Sim, ministro, mas para onde? Para o abismo?
O STF acabou de protagonizar a mais vergonhosa de suas atuações em décadas, que foi o julgamento da Ação Penal 470, onde condenou sem provas e se submeteu covardemente às ordens da mídia, e agora vem posar de paladino da democracia?
Ao apelar a uma suposta “voz das ruas”, o STF tenta se redimir da vergonha que foi a Ação Penal 470 e salvar-se do naufrágio de seu prestígio segurando uma bola de chumbo, pois ele apenas atropela os instrumentos que a democracia pressupõe para avaliar a vontade do povo, e que não inclui, definitivamente, enquetes subjetivas empíricas sobre o que as ruas pensam.
Ainda neste domingo, ficamos sabendo (via Dora Kramer, Estadão) que a ex-ministra do STF, Ellen Gracie, se filiou ao PSDB no dia 5 de outubro. Gracie foi nomeada para o STF por Fernando Henrique e sua filiação tem coerência, portanto. Mas é uma prova de que FHC, nesse ponto, foi muito mais esperto que Lula: nomeou tucanos orgânicos para o Supremo (Gilmar Mendes e Ellen Gracie).
A direita está cada vez se aproximando mais do Judiciário. Falta agora a esquerda entender que não é inteligente nomear raposas para tomar conta do galinheiro.
Ainda segundo a colunista do Estadão, Joaquim Barbosa já admite que pretende seguir carreira política. Dora Kramer é direta: Barbosa estuda entrar numa legenda de oposição ao PT. Numa pirueta de incrível cinismo, Barbosa diz apenas cuidar para que sua atitude não ponha em dúvida o seu comportamento no julgamento do mensalão. Imagina se não cuidasse!
A coluna de Kramer é um balão de ensaio. Tem toda a pinta de ter sido profundamente discutida, tanto com Barbosa quanto com os “conselheiros mais frequentes” do ministro, que são “marcadamente de oposição”.
“Sobre a hipótese de vir a compor uma chapa como candidato a vice-presidente, não abre nem fecha portas.”
“A melhor porta de entrada na política, na avaliação resultante das consultas feitas pelo ministro, seria uma candidatura ao Senado pelo Rio de Janeiro.”
Ao final do texto, Dora vaza o sonho da direita. Ao responder enquete sobre se aceitaria ou não Joaquim Barbosa como seu parceiro eleitoral, Aécio Neves responde o seguinte (citado por Dora): “Nosso respeito pelo ministro é tão grande que sequer aventamos essa hipótese”.
O amor não é lindo?
Dora, a cupido, ainda bota uma azeitoninha na empada de Aécio, ao acrescentar que o PSDB “anda precisando de reforço justamente no Rio, domicílio eleitoral do ainda presidente do Supremo.”
Não poderia encerrar esse post, contudo, sem lembrar dois artigos do Código de Ética da Magistratura, conforme publicado no site do Conselho Nacional de Justiça:
Art. 7º A independência judicial implica que ao magistrado é vedado participar de atividade político-partidária.
Art. 8º O magistrado imparcial é aquele que busca nas provas a verdade dos fatos, com objetividade e fundamento, mantendo ao longo de todo o processo uma distância equivalente das partes, e evita todo o tipo de comportamento que possa refletir favoritismo, predisposição ou preconceito.
PS: Esses dois artigos deveriam ser tatuados em partes visíveis no corpo dos juízes, assim que entrassem no STF; talvez isso evitasse vexames, como foi ver Ayres Brito assinando prefácio de livro de Merval Pereira.
(Publicado originalmente no site Tijolaço)